Se t`apanho, vou-te ao cu...
Para iniciar esta minha página, gostaria de deixar aqui o meu comentário sobre "pedofilia". Aproveitando o meu caso pessoal
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Paulo Liberato

Aos sete anos de idade apaixonei-me por um rapaz ruivo, muito branco e cheio de sardas, que devia ter os seus 17-18 anos.  Isto foi no Verão, na praia da Arrábida.  Todo o dia não tirei os olhos de cima dele.  Lembro-me de ter feito milhentas perguntas à minha mãe e outros familiares, sobre o facto de ser tão branco e ter o cabelo encarnado.  Eu estava completamente apaixonado.  Durante as próximas semanas só pensei naquele rapaz.

Infelizmente, nunca mais o vi.  Foi a primeira paixão da minha vida.  Se tivesse tido oportunidade de estar perto dele num balneário de uma piscina ou coisa do género...

Depois disso, houve um rapaz, que devia ter uns 19-20 anos, e que passava regularmente nas traseiras do meu prédio.  Da janela, eu metia-me com ele, chamava-lhe nomes e ele ameaçava-me:
"se t'apanho vou-te ao..."

Um dia aconteceu.  Eu andava a brincar na rua e ao cair da tarde, quando estava prestes a ir para casa aparece-me ele à frente.  Apanha-me e leva-me para uma esquina escura.  Pormenores são desnecessários.  Mas tinha uma 'coisa' pequena, pois não a conseguiu meter onde pretendia.

Depois haviam os meus vizinhos, em número de três, com os quais brinquei aos 'médicos'.  Um deles vinha para uma 'consulta' regular, várias vezes por semana.  Tínhamos uns 10 anos de idade.

Lembro-me também de espreitar pelo buraco da fechadura da casa-de-banho onde o meu pai estava a tomar banho.  Lembro-me do meu pai me bater, por outras razões, pois que por espreitá-lo nunca fui apanhado.  A meu ver, sempre me bateu injustamente, o que me deixava muito triste e furioso, chegando até a desejar a sua morte.  Por força do destino, adoeceu, acabando por morrer, no mesmo ano em que eu me tornei num rapazinho muito charmoso, alto, bonito.
Desse meu ano glorioso, só tenho uma única foto.

Lembro-me de mais tarde um dos colegas do trabalho do meu pai me confessar que o meu pai tinha desgosto de eu ser gordo, pois que o era quando pequeno.

O facto, é que ele era um homem muitá bom, e que se não tivesse morrido, eu decerto acabaria por ter ido para a cama com ele.

Mais tarde apaixonei-me por um missionário Mórmon.  Foi o meu primeiro homem na totalidade.  Ele era maior de idade, mas eu ainda tinha 15 ou 16.  Essa foi a minha maior paixão, mas também a minha maior desilusão.  Três anos de muitos, muitos pormenores que dariam um fantástico livro/filme.

Presentemente, com toda esta história da pedofilia, quero que todos saibam que eu sempre fui um rapaz muito normal e como tal sempre tive uma sexualidade.  A meu ver, é esta sexualidade que faz fervilhar cada uma das nossas células em cada momento de nossas vidas, pois que sem ela a vida simplesmente cessa de existir. 

Assim como eu sempre tive uma sexualidade, acredito que cada criança também tenha a sua sexualidade.  Claro está que existe quem confunde sentimentos, quem não esteja bem consigo mesmo, quem queira violar, abusar...  Problemas psiquiátricos sempre houveram, mas muitas vezes a barreira é muito ténue.  Somente os pais podem 'defender' os seus filhos até que estes possam discernir situações, e adquirir uma capacidade de consentimento.

O que eu quero deixar claro são duas coisas.  A primeira, é que existe ainda, um completo desconhecimento da sexualidade humana.  Isto deve-se à complexidade desta mesma sexualidade, mas também à condição de hipocrisia que fundamenta as sociedades do Ocidente.  A segunda coisa, é que a solução para este problema será também a solução para uma miríade de problemas das nossas sociedades, e esta só pode ser encontrada numa concertação de esforços por parte de antropólogos, sociólogos, sexuólogos, psicólogos, pais, filhos, avós, tios, heteros, homos.

O que é necessário é que despertemos para tudo isto e que não tenhamos medo de confrontar os factos da nossa própria sexualidade.

Um abraço para todos,
Paulo liberato


Olá Paulo
Comentário enviado por Daniel Costa, Cascais

Gostei da tua página e quase me perguntei se não teremos tido o mesmo pai.

O meu também era "muitá bom"!, e também tive muita vontade de o matar cada vez que me espancava por nada.

Assim como teria ido para a cama com ele, se ele quisesse.

Mas, ainda bem, que ele nunca quis, nem mesmo quando chegava a casa com mais uma das suas grandes bebedeiras,  ou quando se roçava casualmente em mim quando eu ia dormir na cama dele.

Ele nunca quis porque apesar de ter quase todos os defeitos do mundo, a pedofilia não era, felizmente, um deles.

Ainda bem, que o teu pai também não o era, permitindo assim, que as tuas fantasias de menino,  continuassem a ser... Fantasias!

Como tantas outras crianças que tiveram, têm e terão, saudavelmente, fantasias com os seus pais.

Bem vindo ao clube!

Um abraço

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