Correio
Estamos aqui e somos felizes...
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Olá amigos
Eu não nasci cego. Eu fiquei cego há pouco mais de 12 anos num acidente com acido sulfurico. Por isso ainda não me habituei, nem me irei algum dia habituar a viver na escuridão. E recuso-me a perder a esperança numa futura cura para algo que ainda não existe cura. Por isso a minha esperança ficou reforçada com esta nova descoberta que nos permite ver pontos de luz. Sei que ainda é muito pouco e mesmo esse pouco está á distancia da maioria de nós, pelo seu elevado preço (cerca de 20. 000 contos). Mas tenho esperança que um pouco á semelhança dos telemóveis, e desculpem-me a comparação, que começaram por ser enormes e pouco eficientes, e em apenas alguns  anos evoluiram tanto,  que hoje são tão pequenos, tão práticos, tão eficientes, e até já transmitem imagens. E ainda por cima, foram ficando cada vez mais baratos... E é exactamente isto que eu espero agora desse monstro de não sei quantos quilos que  nos permite ver pontos de luz e que custa uma fortuna. Que evolua, que evolua tanto que nos permita a todos algum dia de uma forma igualmente mais democrática, sair desta escuridão e ver. Ver a vida com os próprios olhos...
Danial, Lx  - 5/02/2003


Olá amigos
Só agora tomei conhecimento deste site e quero-lhes dizer que tb estou aqui e que apesar do meu problema, perdi uma perna um acidente de carro, tb sou feliz. Sou feliz dentro do possível porque acho que não vale a pena dramatizarmos e como já estou assim há dois anos e meio, já era tempo de aprender a viver com esta limitação e voltar a ser feliz.

Sempre fui uma pessoa prática e nunca fui de ficar a chorar pelos cantos. Eu acho que se só temos uma vida, e eu poderia ter perdido muito mais do que uma perna naquele horrível acidente, podia ter morrido, mas Deus quis que eu continuasse a viver, mesmo que privado de uma das pernas, então, porque não tentar aproveitar o resto dos meus dias e tentar ser feliz ?
  Tenho pena das pessoas que vivem se escondendo atrás de desculpas só porque não têm coragem para ser felizes.

Conheço muitas pessoas lindas e com tudo para serem felizes mas em vez disso vivem amarguradas e infelizes sem saberem o querem da vida. Enquanto outras, menos afortunadas, e com limitações físicas que vivem sorrindo e Optimistas. O que me leva a concluir, que a verdadeira felicidade não depende de bens materiais nem de nada que venha de fora assim como não depende da nossa condição física, e é algo que nasce a partir de dentro. Que se constrói a partir das nossas experiências de vida e é um resultado de uma sabedoria e de uma grande tranquilidade interior adquirida.

Basta, de arranjarmos desculpas para não sermos felizes. Basta, de ambicionarmos aquilo que não se encontra ao nosso alcance. De derramar lágrimas em vão. De amargura e de desânimo. De revolta e de rancor. Chegou a hora de amar e de abrir o nosso coração para as pessoas á nossa volta e para o mundo. De perdoar. Porque só perdoando os outros nos perdoaremos a nós mesmos e conseguimos alcançar a paz interior. Vamos ser felizes e partilhar com os outros aquilo que nós temos. Vamos nos dar uma oportunidade de sermos mais felizes...

Somos todos deficientes
No fundo, somos todos um pouco deficientes. Física e intelectualmente. E não é necessário ter uma deficiência física que nos impeça de nos deslocarmos  facilmente, para não o fazermos. Conheço pessoas que não possuem nenhum tipo de limitação física, mas vivem presos a um sofá entregues á depressão e á falta de animo. Mesmo a maioria das pessoas com quem nos cruzamos todos os dias na rua, limita-se a repetir os paços do dia anterior e passam por esta vida sem deixar uma marca. Elas não se fazem deslocar de cadeira de rodas mas recusam-se a dar dois paços sem ser de carro ou de transportes públicos. Podem ir onde quiserem mas vão sempre aos mesmos sítios. Podem fazer o que lhes apetece, mas repetem sempre a mesma rotina. Podem amar quem quiser mas vivem se queixando de desamor e de solidão. Podem rir e divertir-se, mas vivem inquietas e com medo... 

  Em resumo: quando por qualquer fatalidade do destino, ficamos subitamente privados de usar uma das partes do nosso corpo, só temos duas opções possíveis, entregar-nos definitivamente nos braços da auto compaixão e da amargura, ou reagir e seguir em frente, assumindo aquilo que nos aconteceu como mais uma lição de vida. Como uma oportunidade de ficarmos a conhecer melhor  os nossos limites. De nos aperfeiçoar-nos. De crescer por dentro. De ficarmos mais fortes...  A escolha é sempre só nossa.  Carlos, 27 anos, Odivelas

Meus amigos
Tomei conhecimento casualmente desse maravilhoso site e me confesso encantado.
Nunca sofri qualquer tipo de mutilação, mas sempre alimentei especial atenção por pessoas deficientes. Não por compaixão, ou coisa parecida, mas por um sentimento natural, que eu mesmo não sei explicar.
Estou aqui e gostaria de dialogar.
Sou brasileiro e neste momento, muito feliz em parabenizá-lo pela brilhante iniciativa.
Um abraço bem latino.
Ivaldo. 

Vale sempre a pena ser feliz
"Eu tive de amputar uma das pernas depois de um cancro ósseo, mas não deixei de ser feliz por causa disso. A principio eu sofri muito, a gente sempre sofre, mas passado algum tempo, já era hora de secar as lágrimas, levantar a cabeça e caminhar para a frente. E foi exactamente isso que eu fiz. E hoje eu costumo dizer: "perdi um pedaço do meu corpo,  mas não Perdi a minha vida..."

A minha primeira vontade, foi morrer...
Eu perdi a visão numa explosão de gás durante um incêndio que ocorreu na minha casa vai agora fazer dois anos no natal. E quando eu acordei naquele hospital e percebi que iria ficar cego para sempre, a minha primeira vontade foi morrer. Chorei durante dias e cheguei a planear me matar. Eu sentia que a minha vida não fazia mais sentido se não podia ver. O que iria ser de mim ? Que homem é que iria querer namorar com um cego ? Como eu iria ter condições para trabalhar e ganhar o meu sustento ? E todos os meus sonhos, como agora eu iria poder realiza-los estando cego ? Eu me senti perdido. Como se tudo tivesse terminado para mim. Eu estava vivo mas sentia que isso era pior do que estar morto. Eu tinha perdido o que alguém pode ter de melhor. A sua capacidade de visualizar o mundo que nos rodeia e poder interagir com ele de igual para igual. Então, era melhor acabar com tudo de uma vez e me deixar engolir totalmente pela escuridão das trevas.

A gota de água final, aconteceu quando o meu namorado, que me havia jurado  amor eterno, me abandonou sem me dar uma explicação. Aproveitando uma noite em que os meus pais não estavam em casa, enchi a banheira de água, enfiei-me lá dentro, e cortei os pulsos e fiquei ali enquanto o sangue me ia escorrendo das veias. Nesses momentos fui recordando a minha vida passada e me despedindo mentalmente dessa minha existência  que eu nem sabia muito bem se tinha sido feliz ou não, porque sempre tinha sido um tonto desmiolado e saltitante que não se conseguia concentrar em nada e sempre escolhia os namorados pela aparência, por isso não admirava que tivesse sido abandonado dessa forma tão desleal sem merecer uma única explicação nem um pouco de consolo.

Fiquei ali esperando a morte e reflectindo sobre a minha vida passada. E o tempo foi decorrendo sem me dar conta disso. Até que os meus pais chegaram, e me encontraram na banheira mergulhado naquele banho de sangue, mas ainda estava vivo e me sentindo estranhamente bem e cheio de vontade de continuar a viver. Eles levaram-me imediatamente para as urgências do hospital, onde fui socorrido, e pude logo voltar para casa. E nesse dia, foi como se de facto tivesse morrido,  e no lugar daquele tonto desmiolado que habitava no meu corpo, houvesse renascido um novo homem. Um homem mais madura, forte, e cheia de vontade de aprender a ser feliz em sua nova condição.
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